Olá!! Quanto tempo que não apareço por aqui, né? Pois é, hora de voltar das férias prolongadas.
Quem me acompanha no facebook sabe que acabei de voltar de viagem depois de dois meses pela Europa. Aprendi muitas coisas e vi muitas coisas também. Bom, isso eu irei contando aos poucos aqui no blog.
Hoje vou deixar mais uma crônica do meu amado Gilbamar de Oliveira sobre o nosso primeiro boneco de neve na Escandinávia. Nossa viagem foi perfeita, graças a Deus!!
Leiam !
Nosso Boneco de Neve
+Gilbamar Bezerra
Via @Gilbamarpoeta
Hoje, 11/12/2012, terça-feira, vimos nosso primeiro boneco de neve ao vivo, ali inerte no espaço onde o fizeram, o nariz de cenoura, cachecol no pescoço, luvas nas mãos, gorro na cabeça, olhos de ameixa, a boca fechada num sorriso maroto. Ele era exatamente como o enxergava nos desenhos de minha infância e tal quel nos meus sonhos mais profundos. Aproximamo-nos daquela estranha e mítica figura já sentindo o coração pulando no peito, tamanha a emoção que nos atravessava a alma, ríamos como se tivéssemos apenas cinco anos de idade, e também era como se o desengonçado e, ao mesmo tempo, terno boneco de neve estivesse de braços abertos a nos esperar para nos abraçar com ternura, falar algo até se entrássemos no delicioso universo da imaginação, e me dizer o quanto ele estava feliz por finalmente me ver e tocar tantos e tantos anos depois de meu primeiro contato com ele nas revistinhas Disney e nos desenhos animados de minha meninice lá num recanto escondido do Brasil. Por óbvio, não se tratava nada disso, claro, mas quem é que manda na imaginação de um sonhador, quem determina qual sonho podemos ou não sonhar, e por que não podemos acordar a criancinha que um dia, há muito tempo, fomos, mas que ainda continua brincando em nossos corações?
Alguém o tinha feito e vestido bem em frente a uma loja árabe em cuja calçada havia todo tipo de frutas e vegetais, de maneira que um rapaz da loja nos viu e entendeu nossa alegria, compreendeu nosso entusiasmo muito humano de quem transmite nos sorrisos a emoção da primeira vez, veio até nós e se ofereceu para nos fotografar. Foi a glória para dois corações brasileiros batendo em descompasso sobre o tapete de neve em que pisávamos e sob as gotículas estreladas da nevinha fina se debruçando do céu sobre nós, pois se naquele instante era exatamente tudo que queríamos! Apressamo-nos em nos posicionar, eu de um lado do boneco, Ana do outro, ambos em franco sorriso de plena satisfação. Afinal, vir à Suécia na época do Natal, a neve caindo sobre a cidade em abundância, se não aproveitássemos para sermos fotografados ao lado de um boneco de neve, nosso primeiro boneco de neve, talvez o último na vida, não sabemos, não teria muito sentido. Então o rapaz nos clicou depois que lhe entreguei minha máquina fotográfica e eternizamos aquele instante mágico, tiramos foto ao lado dessa figura lúdica em completo êxtase, feito crianças, em seguida saímos como a correr sob o olhar compreensivo do rapaz, que nos devolveu a máquina e a quem agradecemos a gentileza, pegamos um punhado de neve e jogamos amorosamente um no outro, enfim, fizemos tudo que um casal apaixonado, que se ama, costuma fazer quando passeia pelas terras do Papai Noel, por lugares onde o pinheiro em forma de árvore de natal é o original e o branco sobre os ramos é neve, não algodão - como no meu tempo de menino.
Abraçado a minha esposa, os flocos da suave chuvinha de gelo raspado flutuando sobre nossas cabeças, beijando-nos o rosto e grudando em nossas roupas grossas contra o frio gelado, olhei para trás e tornei a ver o boneco de neve na sua imobilidade morta, no seu silêncio indubitável, contudo pareceu-me vê-lo mexer as mãos como numa despedida ingênua, ou então foi minha alma infantil que desejou isso com afinco e obrigou-me os olhos a ver, a descobrir muito além das imagens concretas, a alcançar o mundo abstrato onde tudo que existe e está realmente lá sem poder ser visto nem tocado, somente sentido, percebido, sendo no entanto vívido e perceptível através da sensibilidade tão própria dos que são tocados pela força arrebatadora da ternura.
Até mais.
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